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Por que a formação de casais foi importante para a evolução?

Analisando outros primatas, especialistas acreditam que a vida a dois foi a precursora da formação de grandes grupos, como as sociedades em que vivemos

Por que a formação de casais foi importante para a evolução? (Foto: GERMAN PRIMATE CENTER-LEIBNIZ INSTITUTE FOR PRIMATE RESEARCH)

Por que a formação de casais foi importante para a evolução? Essa é uma das perguntas que Peter M. Kappeler, da Universidade de Göttingen, na Alemanha, e Luca Pozzi, da Universidade do Texas em San Antonio, nos Estados Unidos, tentaram responder em seu estudo mais recente. As descobertas da dupla foram publicadas no periódico Science Advances.

As observações dos pesquisadores fizeram com que eles percebessem que, seja em pares ou em grupos, o sucesso nos sistemas sociais dos primatas também pode fornecer informações sobre a organização da vida social humana. Um dos fatos observados foi que a vida em pares serviu como um trampolim para a vida em grupo, o que mostra que os casais desempenharam um papel fundamental na evolução das comunidades desses animais.

Como explicou Pozzi em declaração à imprensa, no curso da evolução, as espécies tiveram que se adaptar às mudanças nas condições ambientais — e uma delas foi aprender a viver com companheiros. Por isso, cerca de metade de todas as espécies de primatas vive em grupos, enquanto cerca de um terço tem parceiros.

Ainda assim, o comportamento ainda permanece um mistério para os especialistas. "Viver como um par representa um quebra-cabeça evolucionário no desenvolvimento dos sistemas sociais de mamíferos, porque os machos poderiam alcançar taxas mais altas de reprodução se não se couplassem com uma única fêmea", disse o especialista.

Hoje, as duas hipóteses mais aceitas sobre a formação de casais são consideradas mutuamente excludentes. A primeira, conhecida como a "hipótese de distribuição feminina", indica que uma mudança ecológica no habitat levou à separação espacial das fêmeas e dos machos. Isso teria feito com que os machos solitários, que anteriormente tinham várias parceiras vivendo em seu território, se unissem com a parceira que conseguissem encontrar após a separação — e ficassem apenas com ela.

Já a segunda, conhecida como a "hipótese do cuidado paterno", indica que o macho escolhe ter apenas uma parceira, pois os cuidados de ambos aumentam a probabilidade de sobrevivência da prole.

A nova pesquisa indica que ambas teorias podem ser complementares. “A evolução de sistemas sociais complexos em mamíferos, e mais especificamente em primatas, é uma área de pesquisa desafiadora e emocionante. Nosso estudo mostra que viver em pares, embora raro, pode ter desempenhado um papel crítico [nessa evolução]”, afirmou Pozzi.

"O vínculo de pares, típico em humanos dentro de unidades sociais, não pode ser explicado com nossos resultados, pois nenhum de nossos ancestrais recentes viveu solitariamente", lembrou Kappeler. "No entanto, as vantagens do cuidado paterno também podem ter levado à consolidação da vida em duplas dentre os humanos."

Fonte: revistagalileu

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