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A elevação das taxas de Juros e Câmbio e o impacto para as empresas

Alfredo Fonceca Peris

Há um ano atrás, a Selic estava em 7,25% ao ano e o câmbio em R$2,00/US$1,00. Hoje a Selic está em 10,50% ao ano e o câmbio próximo de R$2,40/US$1,00. Portanto, a taxa Selic subiu, em um ano, 3,25 pontos percentuais ou 44,83% e o câmbio se elevou em 20%. A realidade atual, particularmente do câmbio, pode ser comemorada por exportadores, todavia essa situação precisa ser melhor estudada.

Observando a balança comercial, em 2013, constata-se que, excluindo a balança comercial do agronegócio, as exportações dos demais setores totalizaram US$142,2 bilhões e, as importações dos demais setores totalizaram US$222,5 bilhões. Logo, excluindo a balança do agronegócio, o déficit na balança comercial brasileira, em 2013, foi de US$80,3 bilhões.

Isso indica que uma elevação da taxa de câmbio, dado o déficit da balança comercial, excluindo o agronegócio, aumenta de tal forma o custo das empresas e pressiona a inflação numa intensidade capaz de anular os benefícios gerados pela elevação da taxa de câmbio sobre as exportações. Muitos advogavam em torno de uma taxa de câmbio mais depreciada visando fomentar as exportações. E ninguém quer prejudicar os exportadores, mesmo porque a cada dia esses tem um papel mais importante na economia. Todavia, fatos são fatos. E uma taxa de câmbio mais depreciada satisfaz diretamente os exportadores, no entanto, causa um impacto na elevação dos custos das empresas e no aumento da inflação capaz de comprometer esses ganhos.

Inflação mais alta e déficit em transações corrente s (pois o saldo da balança comercial em 2013, de apenas US$2,56 bilhões, não cobriu o déficit), obrigam o Banco Central a elevar a taxa básica de juros, a Selic. Isso causa uma elevação das taxas de juros para as empresas e consumidores, gerando a pior combinação possível para as empresas, em especial para as pequenas e médias que, em especial para o Paraná, são decisivas na geração e manutenção de empregos.

Portanto, quem estiver sentindo uma dificuldade maior na gestão de suas empresas, talvez ainda não tenha se dado conta de que pode não haver nada errado com a forma como é feita sua gestão. O que ocorreu, foi uma modificação completa na dinâmica e no financiamento do negócio e um aumento significativo nos custos. Pois, quando há, particularmente no caso do câmbio, uma elevação, os preços no atacado e na indústria sobem imediatamente. Essa maior facilidade para aumentar preços, não acontece na ponta, ou seja, no pequeno comércio varejista. Como a oferta está muito concentrada, nas mãos de grandes atacadistas e da indústria, esses têm maiores condições para repassar aumentos de custos que os pequenos varejistas que atendem diretamente o consumidor final.

O que fazer nesses dias difíceis? Como estão e como ficarão, uma vez que, no curto prazo, não parece haver condições de reversão dessa dinâmica? Ter consciência de que vivemos dias difíceis, ajuda. Cautela na gestão das finanças e dos estoques, também. Conscientizar a todos envolvidos na empresa de que o aumento da produtividade pode ser um antídoto muito eficaz para salvar a empresa e manter os empregos, pode ser o diferencial entre sobreviver ou não.

* Alfredo Fonceca Peris é sócio-diretor da Peris Consultoria Empresarial - www.perisconsultoria.blogspot.com.br


Fonte: Coregon-PR

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